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Blog Anglo Salto

Bullying na escola: sinais que você precisa conhecer

Cerca de 40% dos estudantes brasileiros já relataram ter sido alvo de alguma forma de bullying, segundo dados do Atlas da Violência 2024, elaborado pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Esse número, que cresceu de 30,9% em 2009 para 40,5% em 2019, revela que o problema não está diminuindo. Identificar os sinais cedo é fundamental para evitar danos emocionais e acadêmicos que podem se prolongar por anos. Nem todo conflito entre estudantes configura bullying. Um desentendimento isolado, uma briga pontual ou uma discussão entre amigos são situações comuns no ambiente escolar e não se enquadram nessa definição. O bullying exige três elementos: intencionalidade, repetição e desequilíbrio de poder. O agressor age de forma deliberada, as agressões acontecem de forma recorrente e existe clara desproporção entre quem ataca e quem sofre. Essa desproporção pode ser física, social ou emocional. A Lei 13.185, de 2015, foi a primeira a definir o bullying como intimidação sistemática no Brasil. Em janeiro de 2024, a Lei 14.811 foi ainda mais decisiva: incluiu bullying e cyberbullying no Código Penal, tornando ambas práticas crimes passíveis de punição judicial. "O bullying não acontece no acaso. Ele se repete porque existe um ambiente que, muitas vezes, não sabe como reagir", diz Derval Fagundes de Oliveira, diretor do Colégio Anglo Salto. Sinais comportamentais e emocionais As vítimas de bullying frequentemente não revelam o problema por conta própria. O medo de represálias, a vergonha ou a crença de que ninguém vai ajudar levam muitas crianças a guardar silêncio durante meses. Cabe aos adultos ao redor reconhecer as mudanças antes que a situação se agrave. A recusa em ir à escola é um dos sinais mais reveladores, especialmente quando a criança antes demonstrava interesse pelos estudos. Queda abrupta no rendimento escolar, perda de concentração e desinteresse por atividades que antes atraiam atenção também funcionam como indicadores. No aspecto físico, hematomas ou arranhões explicados de forma vaga, além de queixas frequentes de dores de cabeça ou de barriga sem causa médica identificada, merecem atenção imediata. As alterações emocionais costumam ser ainda mais reveladoras. Isolamento progressivo, mudanças repentinas de humor, irritabilidade ou tristeza persistente sem motivo aparente são sinais que não devem ser ignorados. Problemas de sono, como insônia ou pesadelos frequentes, acompanham muitos dos casos documentados pela literatura especializada. Material escolar constantemente danificado ou a perda frequente de pertences também entram na lista de alertas. O que acontece online não fica online O cyberbullying representa uma dimensão do problema que agrava significativamente o sofrimento das vítimas. Mensagens ofensivas, montagens humilhantes e perfis falsos criados para ridicularizar alguém se espalham rapidamente pelas redes sociais. A diferença em relação ao bullying presencial é que a violência digital invade espaços que deviam ser seguros, como o próprio lar. Além disso, as agressões permanecem registradas indefinidamente na internet, tornando impossível escapar delas por conta própria. Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos indicam que mais de 2.300 denúncias de bullying em instituições de ensino foram registradas em 2024, um aumento de aproximadamente 67% em relação ao ano anterior. Esse crescimento reflete tanto o agravamento do problema quanto a maior consciência da população sobre a necessidade de denunciar. Como a família deve agir Derval Fagundes, como é mais conhecido, reforça que a escuta ativa é o primeiro passo decisivo. "Quando a criança consegue falar e sente que foi ouvida de verdade, sem julgamento, ela passa a confiar que não está sozinha nessa situação", afirma o diretor. Ouvir sem interromper, sem minimizar e sem atribuir culpa à vítima são atitudes básicas que fazem uma diferença enorme. Uma criança que sente que foi validada tende a compartilhar mais informações e a aceitar a ajuda oferecida. Depois da escuta, o próximo passo é contato direto com a escola. Os pais devem procurar a coordenação pedagógica ou a direção, relatar o problema com detalhes e cobrar medidas concretas de proteção. A escola tem obrigação legal e moral de garantir ambiente seguro para todos os estudantes. As ações que devem ser exigidas incluem investigação cuidadosa dos fatos, conversas individuais com os envolvidos, acompanhamento próximo da situação e implementação de medidas que impeçam a repetição das agressões. Agressores, vítimas e o papel da escola O perfil dos agressores revela mais complexidade do que a maioria das pessoas imagina. Muitas crianças e adolescentes que praticam bullying enfrentam problemas emocionais próprios, como experiências de violência doméstica, negligência afetiva ou dificuldade genuína em desenvolver empatia. Alguns buscam status social através da dominação de outros. Compreender essas motivações não justifica as agressões, mas orienta intervenções mais eficazes que contemplem também as necessidades do agressor. Punições severas sem processo educativo raramente produzem mudanças de comportamento. O mais eficaz é combinar consequências claras com oportunidades de reflexão, desenvolvimento de empatia e reparação do dano causado. Conversas que ajudem o agressor a compreender o sofrimento que causou, acompanhadas do envolvimento das famílias de ambos os lados, produzem resultados mais duráveis. Quando as dificuldades persistem apesar das ações da escola e da família, buscar apoio profissional é essencial. Psicólogos e psicopedagogos oferecem suporte tanto para as vítimas, na reconstrução da autoestima e no processamento de experiências traumáticas, quanto para os agressores, na compreensão e mudança de comportamentos. A prevenção exige esforço compartilhado. Escolas que promovem cultura de respeito e acolhimento da diversidade apresentam menor incidência de casos. Discussões abertas sobre bullying, programas de educação socioemocional e criação de espaços seguros para relatar situações de violência são ações que transformam o ambiente escolar dia a dia. Famílias que mantêm canais de comunicação abertos com os filhos, observam mudanças de comportamento e participam ativamente do cotidiano escolar contribuem para que problemas sejam identificados antes de se tornar graves. Conversas regulares sobre amizades, dificuldades e alegrias na escola criam oportunidades naturais para que a criança compartilhe experiências difíceis sem sentir que está sendo pressionada. Quanto mais cedo um problema é identificado, maiores são as chances de resolução sem sequelas duradouras.Para saber mais sobre bullying, visite https://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/34487 e https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/bullying.htm  


06 de fevereiro, 2026

Anglo Salto promove integração entre colegas com o programa O Líder em Mim

O início das aulas é um momento especial, em que cada estudante precisa se sentir acolhido, seguro e parte do colégio. Para os alunos do 1º ano do Anglo Salto, uma atividade divertida e educativa chamada Teia da Amizade movimentou os alunos. Ela faz parte do programa Líder em Mim e permite que as crianças falem sobre si mesmas, conheçam novos colegas e construam relações de amizade logo nos primeiros dias de aula. No retorno às aulas, o colégio reforça a importância do acolhimento e da integração. Cada aluno precisa sentir que pertence ao grupo, que seu espaço é respeitado e que ele pode expressar suas ideias, sentimentos e emoções sem medo.    Teia da Amizade: conhecendo os colegas de forma divertida A atividade Teia da Amizade foi aplicada aos alunos do 1º ano com o objetivo de promover a integração e o autoconhecimento. Durante a dinâmica, cada criança recebe um novelo de lã e, ao falar um pouco sobre si mesma — seus gostos, hobbies, animais favoritos ou curiosidades —, passa o novelo para outro colega. Assim, forma-se uma “teia” colorida que representa as conexões entre todos os estudantes. Essa atividade não é apenas uma brincadeira. Ela permite que os alunos percebam que, apesar das diferenças, todos têm interesses em comum e que é possível criar laços desde o início do ano letivo. Para os professores, a Teia da Amizade também serve como um recurso valioso para conhecer melhor cada aluno, identificar afinidades e incentivar a colaboração entre a turma. Ao participar da teia, os alunos aprendem a ouvir, respeitar o colega e valorizar a diversidade, construindo uma base sólida para amizades duradouras.   O Líder em Mim: formando líderes desde cedo A Teia da Amizade faz parte do programa O Líder em Mim, uma metodologia internacional que o Colégio Anglo Salto aplica em todas as etapas da educação. O programa é baseado nos princípios do livro “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, de Stephen Covey, adaptados para crianças e adolescentes, com o objetivo de desenvolver competências socioemocionais, autoconfiança e habilidades de liderança. No Anglo Salto, O Líder em Mim não se limita a atividades isoladas. A escola promove diversas ações que incentivam os alunos a serem protagonistas de suas próprias histórias, a tomarem decisões conscientes, a estabelecerem metas e a colaborarem de forma responsável com os colegas. Cada projeto, atividade ou dinâmica é pensado para que os estudantes aprendam a liderar suas próprias atitudes, respeitar o próximo e contribuir positivamente para a comunidade escolar. O programa também conecta o aprendizado acadêmico ao desenvolvimento emocional. Ao participar de ações como a Teia da Amizade, os alunos não apenas conhecem os colegas, mas também praticam habilidades essenciais como empatia, comunicação clara, escuta ativa e resolução de conflitos. São competências que vão além da sala de aula e ajudam as crianças a se tornarem cidadãos conscientes e preparados para os desafios do futuro.   Acolhimento no retorno às aulas O início do ano letivo é um momento de novas experiências. No Anglo Salto, a escola entende que acolher os alunos é tão importante quanto ensinar conteúdos acadêmicos. Um aluno que se sente seguro, valorizado e parte de um grupo aprende melhor e desenvolve mais confiança. Durante a semana de volta às aulas, a escola promove diversas atividades de integração, como rodas de conversa, dinâmicas de grupo, jogos cooperativos e a própria Teia da Amizade. Essas ações são planejadas para que cada criança se sinta ouvida e acolhida, criando um ambiente no qual a amizade e a colaboração são incentivadas desde o primeiro dia. O acolhimento também envolve atenção às necessidades emocionais dos alunos. Professores e coordenadores observam sinais de timidez, insegurança ou ansiedade e oferecem apoio individual quando necessário. Esse cuidado faz com que os estudantes percebam que o colégio é um espaço seguro, onde eles podem se expressar livremente, construir relações de confiança e aprender a conviver com os outros de forma saudável. Além disso, sentir-se parte do grupo contribui para que os alunos desenvolvam sentimento de pertencimento, um elemento essencial para o crescimento emocional.  Ao incentivar os alunos a conhecerem seus colegas, expressarem suas ideias e praticarem a empatia, a escola contribui para que cada estudante se torne protagonista da própria vida e construa relações significativas desde cedo.  


04 de fevereiro, 2026

Enem ou vestibular tradicional: qual a diferença?

Estudantes do ensino médio enfrentam uma decisão importante ao planejar sua entrada no ensino superior: preparar-se para o Exame Nacional do Ensino Médio, para vestibulares tradicionais ou para ambos. Cada modelo de avaliação apresenta características próprias que influenciam diretamente a forma de estudar, os conteúdos prioritários e as estratégias de preparação. Compreender essas diferenças permite aos alunos e suas famílias fazer escolhas mais conscientes e aproveitar melhor os anos de formação. O Exame Nacional do Ensino Médio, criado em 1998 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, acontece em dois dias consecutivos e totaliza 180 questões objetivas divididas em quatro áreas do conhecimento: Linguagens e Códigos, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática. A prova de redação, aplicada no primeiro dia, exige formato dissertativo-argumentativo com apresentação obrigatória de proposta de intervenção para o problema apresentado. Já os vestibulares tradicionais variam significativamente conforme a instituição organizadora. Cada universidade elabora suas próprias questões, define critérios específicos de correção e estabelece os conteúdos a serem cobrados. Algumas aplicam provas em fase única, enquanto outras adotam sistema de duas etapas: a primeira eliminatória e abrangente, a segunda aprofundada em conhecimentos específicos. Universidades como USP, Unicamp e Unesp mantêm processos próprios com características bem definidas. A versatilidade do formato dos vestibulares permite que instituições solicitem provas de habilidades específicas para determinados cursos. Candidatos a Música, Artes ou Arquitetura podem enfrentar testes práticos de aptidão, além das provas teóricas convencionais. Métodos de correção e pontuação Uma diferença crucial está no sistema de avaliação. O Enem utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia que analisa não apenas a quantidade de acertos, mas principalmente a consistência do padrão de respostas. Acertar uma questão considerada difícil pela maioria dos candidatos pode valer mais pontos do que responder corretamente várias questões fáceis. O sistema identifica inconsistências que sugerem chutes aleatórios e penaliza esse comportamento. "Explicamos aos nossos alunos que no Enem não basta acertar muitas questões, é preciso manter coerência nas respostas", comenta Derval Fagundes de Oliveira, diretor do Colégio Anglo Salto. "Essa característica da TRI exige conhecimento sólido e equilibrado nas diferentes áreas." Nos vestibulares tradicionais, a correção geralmente segue a média aritmética simples ou ponderada, conforme pesos atribuídos a cada disciplina. Para cursos de Engenharia, por exemplo, Matemática e Física costumam ter peso maior. Medicina frequentemente valoriza Biologia e Química. Esse sistema permite que o candidato direcione esforços para as áreas mais relevantes ao curso escolhido. Abordagem dos conteúdos As questões do Enem caracterizam-se pela contextualização e interdisciplinaridade. É comum encontrar perguntas que integram conhecimentos de História e Geografia, ou que exigem interpretação de gráficos científicos combinada com análise socioeconômica. O foco está em avaliar competências gerais: interpretar textos diversos, relacionar conceitos de diferentes áreas, analisar criticamente situações-problema e aplicar conhecimentos em contextos variados. Temas contemporâneos aparecem frequentemente. Questões sobre sustentabilidade, direitos humanos, tecnologia, desigualdades sociais e outros assuntos atuais são recorrentes. A prova valoriza candidatos que acompanham noticiários, compreendem processos históricos e conseguem estabelecer relações entre passado e presente. Vestibulares tradicionais tendem a cobrar conteúdos de forma mais aprofundada e específica. As questões são geralmente mais diretas, focadas em conceitos particulares de cada disciplina. Embora algumas instituições também valorizem interdisciplinaridade, a exigência de conhecimentos detalhados é maior. Fórmulas matemáticas complexas, reações químicas específicas, datas históricas relevantes e conceitos filosóficos aprofundados aparecem com frequência. Possibilidades de utilização da nota A versatilidade na utilização da pontuação representa grande vantagem do Enem. O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) permite que candidatos concorram a vagas em universidades públicas de todo o país, com processos semestrais. O Programa Universidade para Todos (ProUni) oferece bolsas integrais e parciais em instituições privadas para estudantes que atendam critérios socioeconômicos e alcancem pontuação mínima. O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) possibilita financiamento de cursos superiores com pagamento após a formatura. Muitas faculdades particulares aceitam a nota do Enem como forma de ingresso direto, substituindo processos seletivos próprios. Algumas universidades utilizam a pontuação para complementar notas de seus vestibulares, conferindo pontos extras decisivos em cursos concorridos. Há ainda a possibilidade de certificação de conclusão do ensino médio através do exame, para maiores de 18 anos que atinjam pontuação mínima. Instituições portuguesas também aceitam a nota para ingresso de brasileiros. Nos vestibulares tradicionais, a nota serve exclusivamente para ingresso na instituição que organizou o processo. Essa especificidade representa limitação em termos de oportunidades, mas pode ser vantajosa para quem já definiu com certeza onde deseja estudar. Impactos na rotina de preparação As diferenças entre os modelos influenciam diretamente como os estudantes organizam seus estudos. "Observamos que alunos focados no Enem desenvolvem habilidades interpretativas muito fortes, enquanto aqueles que se preparam para vestibulares específicos dominam conteúdos com maior profundidade", destaca o diretor do Colégio Anglo Salto. Para o Enem, a preparação eficiente envolve prática constante de interpretação de textos variados, resolução de questões contextualizadas e desenvolvimento da capacidade argumentativa. Estudar atualidades torna-se fundamental, já que as questões frequentemente abordam problemas sociais, ambientais e políticos contemporâneos. A redação merece atenção especial, com treino regular da estrutura dissertativo-argumentativa e domínio de propostas de intervenção viáveis. Resolver provas de edições anteriores ajuda a compreender o estilo das questões e identificar temas recorrentes. Como o sistema de correção valoriza consistência, desenvolver conhecimento equilibrado nas diferentes áreas é crucial, evitando lacunas que prejudiquem o desempenho geral. Para vestibulares tradicionais, especialmente os mais concorridos, a estratégia ideal começa pela análise detalhada do edital e de provas anteriores da instituição desejada. Identificar conteúdos mais cobrados, estilo das questões e critérios de correção permite direcionar estudos eficientemente. Aprofundar-se nas disciplinas com maior peso para o curso escolhido e praticar resolução de exercícios específicos fazem diferença significativa. Preparação simultânea para ambos os formatos Muitos estudantes optam por preparar-se simultaneamente para o Enem e vestibulares específicos, ampliando chances de ingresso no ensino superior. Essa estratégia requer organização cuidadosa do tempo e planejamento eficiente. Compreender as particularidades de cada formato permite otimizar a preparação. Enquanto o Enem prioriza interpretação e raciocínio lógico, vestibulares cobram conteúdos mais específicos e aprofundados. Montar cronograma flexível que contemple adequadamente ambas as demandas é essencial. Alternar entre temas gerais e assuntos específicos ao longo da semana, separar tempo para revisar conteúdos mais cobrados em cada tipo de prova, resolver simulados de ambos os formatos e treinar diferentes estilos de redação contribui para preparação completa. Praticar com provas anteriores de diferentes formatos desenvolve versatilidade e ajuda a identificar estratégias específicas para cada avaliação. Quando começar a preparação Embora muitos estudantes intensifiquem os estudos no terceiro ano, a preparação ideal deve começar antes. Iniciar no primeiro ano permite distribuir conteúdos de forma equilibrada, reduzindo estresse e sobrecarga no último ano. Essa antecipação possibilita criar bases sólidas, identificar dificuldades com tempo hábil para superá-las e desenvolver hábitos de estudo consistentes. Nos primeiros anos do ensino médio, o foco pode estar em consolidar conteúdos trabalhados em sala, resolver questões básicas e médias, e familiarizar-se com formatos das provas. No terceiro ano, intensifica-se a preparação com simulados completos, aprofundamento em temas específicos e treino intensivo de redação. Equilíbrio emocional durante a preparação A pressão dos processos seletivos pode gerar ansiedade e estresse significativos. Reservar tempo para descanso, lazer e atividades prazerosas não representa perda de tempo, mas investimento essencial na qualidade da aprendizagem. Uma mente equilibrada e descansada absorve melhor os conteúdos, retém informações com facilidade e mantém raciocínio claro durante as provas. Estabelecer rotina de estudos sustentável, com intervalos regulares e períodos de relaxamento, previne esgotamento. Manter alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e dormir adequadamente são aspectos tão importantes quanto o tempo dedicado aos livros. Definindo o melhor caminho Não existe escolha universalmente melhor entre Enem e vestibulares tradicionais. A decisão ideal depende dos objetivos individuais, preferências pessoais e situação específica de cada estudante. O Enem pode ser mais adequado para quem busca maximizar chances de ingresso, deseja flexibilidade para escolher entre várias universidades, pretende participar de programas governamentais ou prefere avaliações que valorizem interpretação. Vestibulares tradicionais podem ser mais interessantes para estudantes que já definiram a instituição onde desejam estudar, buscam cursos altamente concorridos em universidades específicas ou se identificam mais com provas que cobram conteúdos aprofundados. Ambas as opções representam caminhos válidos para o ensino superior. Com planejamento adequado, dedicação consistente e estratégias bem definidas, os estudantes podem preparar-se eficientemente para qualquer formato de avaliação. Para saber mais sobre Enem, visite https://www.orientacarreira.com.br/vestibular-e-enem/ e https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/enem/qual-a-diferenca-entre-vestibular-e-enem  


02 de fevereiro, 2026

Aprender a aprender: habilidade fundamental na escola

O ensino tradicional focava em transmitir conteúdos prontos que os estudantes deveriam memorizar e reproduzir. Essa abordagem não atende mais às demandas de um mundo em constante transformação. Hoje, a capacidade de buscar informações, processá-las criticamente e aplicá-las em diferentes situações vale mais que acumular dados na memória. Aprender a aprender representa uma competência decisiva para o sucesso na trajetória escolar e profissional. Essa habilidade envolve autonomia para conduzir o próprio processo de conhecimento. A criança identifica o que precisa descobrir, formula perguntas relevantes, busca respostas de forma estratégica e aplica o aprendizado em contextos variados. Trata-se de metacognição, ou seja, consciência sobre os próprios processos mentais. Quando domina essa competência, o estudante deixa de depender exclusivamente da orientação constante de adultos e passa a assumir responsabilidade pelo próprio desenvolvimento intelectual. Bases cognitivas que sustentam a autonomia O desenvolvimento da capacidade de aprender acontece progressivamente durante a infância. A partir dos seis anos, quando ingressam no ensino formal, as crianças compreendem melhor a relação entre concreto e abstrato. Entre oito e nove anos, observa-se aumento significativo no poder de concentração, reflexão e coordenação de ações. Aos dez anos, conseguem estabelecer relações de causa e efeito com maior precisão e interpretar textos mais complexos. Esse amadurecimento cognitivo cria condições para que a criança desenvolva estratégias próprias de estudo, identifique o que funciona melhor para seu perfil e adapte abordagens conforme os desafios encontrados. As funções executivas desempenham papel central nesse processo. Planejamento, controle de impulsos, flexibilidade mental, memória operacional e manutenção de foco funcionam como sistema de gerenciamento que organiza informações, prioriza tarefas e sustenta a persistência diante de dificuldades. "Uma criança que sabe como aprender enfrenta qualquer desafio escolar com mais confiança e desenvolve autonomia que a acompanhará por toda a vida", afirma Derval Fagundes de Oliveira, diretor do Colégio Anglo Salto. Crianças com funções executivas bem desenvolvidas apresentam melhor desempenho acadêmico, maior capacidade de trabalho em equipe e habilidades sociais mais refinadas. Essas competências se fortalecem com a prática. Quanto mais a criança exercita planejamento, autorregulação e flexibilidade cognitiva, mais eficazes essas habilidades se tornam. Curiosidade como motor do conhecimento A curiosidade natural infantil representa o combustível fundamental para aprender a aprender. Quando estimulada adequadamente, essa disposição para explorar o novo se transforma em ferramenta poderosa de desenvolvimento intelectual. Crianças curiosas fazem perguntas, investigam fenômenos, testam hipóteses e buscam compreender como as coisas funcionam. O brincar desempenha papel essencial nesse processo. Atividades lúdicas como o faz de conta promovem criatividade, imprevisibilidade e representação de diferentes papéis sociais. Enquanto brincam, as crianças exercitam coordenação motora, constroem regras, aprimoram habilidades sociais e desenvolvem pensamento simbólico. Exploram emoções variadas, interagem com o ambiente e aprendem sobre si mesmas e o mundo. Manter uma mente aberta para novas experiências e perspectivas é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e afetivo. A exploração ativa permite que a criança construa conhecimento de forma significativa, relacionando novas informações com experiências anteriores. Esse processo gera aprendizado mais duradouro que a simples memorização de fatos isolados. Pensamento crítico e autonomia intelectual O pensamento crítico representa a capacidade de analisar informações de forma reflexiva, questionar pressupostos, identificar relações de causa e efeito e formar julgamentos fundamentados. Essas habilidades estão intimamente relacionadas ao aprender a aprender, pois permitem que a criança não aceite conhecimentos de forma passiva, mas os examine, compare com outras perspectivas e construa suas próprias conclusões. Ao desenvolver pensamento crítico, a criança aprende a distinguir entre fatos e opiniões, reconhecer padrões, fazer inferências lógicas e resolver problemas de forma criativa. Essas competências cognitivas se fortalecem quando há oportunidades de questionar, experimentar e refletir sobre experiências de aprendizagem. Metodologias que incentivam participação ativa dos estudantes, como aprendizagem baseada em projetos, investigação científica e resolução de problemas reais, colocam a criança no centro do processo educativo. Em vez de simplesmente receber informações, ela participa ativamente da construção do conhecimento, formulando questões, pesquisando, analisando dados e apresentando conclusões. Resiliência e persistência nos estudos Aprender a aprender envolve necessariamente lidar com frustrações, erros e desafios. A resiliência é a capacidade de enfrentar dificuldades, superar adversidades e adaptar-se a situações complexas. Crianças resilientes compreendem que o erro faz parte do processo de aprendizagem e que dificuldades temporárias não determinam suas capacidades permanentes. A persistência representa a disposição para continuar tentando mesmo diante de obstáculos. Essa qualidade se desenvolve quando a criança experimenta ciclos de tentativa, erro, ajuste e sucesso. Cada vez que enfrenta um desafio, desenvolve estratégia para superá-lo e eventualmente alcança seu objetivo, fortalece a confiança na própria capacidade de aprender. Ambientes escolares e familiares que valorizam o esforço tanto quanto os resultados, que reconhecem o progresso individual e que tratam erros como oportunidades de aprendizagem cultivam essa persistência. Quando a criança entende que inteligência e habilidades podem ser desenvolvidas através da prática e dedicação, torna-se mais disposta a aceitar desafios e menos vulnerável ao medo do fracasso. Comunicação e organização do pensamento A capacidade de comunicar ideias de forma clara e eficaz é componente essencial do aprender a aprender. Quando a criança articula seus pensamentos, seja oralmente ou por escrito, ela organiza e consolida suas compreensões. O processo de transformar pensamentos em palavras exige clareza mental e estruturação lógica de ideias. Atividades que estimulam a criança a narrar suas experiências, explicar raciocínios, defender pontos de vista e formular perguntas desenvolvem simultaneamente habilidades linguísticas e metacognitivas. Ao verbalizar dúvidas, a criança muitas vezes já inicia o processo de resolvê-las. Ao explicar conceitos, identifica lacunas em sua própria compreensão. Rodas de conversa, apresentações de trabalhos, debates orientados e produção de textos são estratégias pedagógicas que desenvolvem essas capacidades comunicativas enquanto fortalecem o pensamento crítico e a autonomia intelectual. O papel de pais e educadores Adultos desempenham função crucial como mediadores do processo de aprender a aprender. Em vez de simplesmente fornecer respostas, pais e educadores eficazes fazem perguntas que estimulam o pensamento, oferecem apoio estruturado quando necessário e gradualmente transferem responsabilidade para a criança conforme ela desenvolve competências. Estimular o poder de escolha desde cedo, permitindo que a criança participe de decisões adequadas à sua idade, desenvolve autonomia e senso de responsabilidade. Permitir que lide com frustrações apropriadas, sem intervir imediatamente para resolver todos os problemas, constrói resiliência e persistência. Demonstrar confiança nas capacidades da criança, estabelecer expectativas realistas, mas desafiadoras e fornecer feedback construtivo que destaca esforços e estratégias em vez de apenas resultados são práticas que promovem desenvolvimento da autonomia intelectual. Modelar comportamentos de aprendizado contínuo, demonstrando curiosidade, buscando informações e admitindo quando não sabem algo, também ensina à criança que aprender é processo vitalício. No contexto atual, repleto de informações facilmente acessíveis através de tecnologias digitais, o aprender a aprender torna-se ainda mais crucial. Crianças precisam desenvolver habilidades para avaliar fontes, distinguir informações confiáveis de enganosas, sintetizar grandes volumes de dados e aplicar conhecimentos em contextos novos. Para saber mais sobre aprender, visite https://g1.globo.com/educacao/noticia/como-usar-brincadeiras-para-ensinar-habilidades-essenciais-a-criancas-segundo-harvard.ghtml e https://institutoneurosaber.com.br/artigos/3-habilidades-sociais-que-toda-crianca-precisa/  


30 de janeiro, 2026

Planejamento de estudos reduz ansiedade escolar no dia a dia

A ansiedade escolar afeta milhares de estudantes brasileiros todos os anos. Pesquisas mostram que o medo de provas, a pressão por notas altas e o acúmulo de conteúdo geram estresse intenso em crianças e adolescentes. A boa notícia é que existe uma solução prática e acessível: o planejamento de estudos. Quando o estudante organiza sua rotina de aprendizagem, estabelece metas claras e distribui o conteúdo ao longo do tempo, a sensação de controle aumenta e a ansiedade diminui naturalmente. Estudos em neurociência comprovam que o cérebro humano aprende de forma mais eficiente quando a informação é revisada em intervalos regulares. A repetição espaçada fortalece as conexões neurais e facilita a recuperação do conteúdo quando necessário. Estudar 30 minutos todos os dias produz resultados superiores a uma maratona de cinco horas na véspera da prova. O planejamento de estudos permite essa distribuição equilibrada, transformando o aprendizado em processo gradual e menos intimidador. Além disso, a consistência treina o cérebro para entrar em modo de concentração mais facilmente. Quando o estudante reserva horários fixos para estudar, cria um padrão que o organismo reconhece. Esse hábito reduz a resistência inicial que muitos sentem ao abrir os livros e torna o estudo menos cansativo mentalmente.   Metas específicas substituem objetivos vagos Decidir "estudar mais" não oferece direcionamento concreto. O estudante precisa de metas mensuráveis e realistas para acompanhar seu progresso. Em vez de simplesmente dedicar tempo à matemática, pode estabelecer o objetivo de resolver 15 exercícios de frações ou revisar dois capítulos do material didático. Essas metas específicas proporcionam sensação de realização a cada etapa cumprida e tornam o processo menos abstrato. "O planejamento de estudos transforma a relação do estudante com o conhecimento porque permite que ele visualize o próprio avanço", afirma Derval Fagundes de Oliveira, diretor do Colégio Anglo Salto. Dividir objetivos maiores em tarefas menores torna o desafio gerenciável e evita a sensação de sobrecarga que alimenta a ansiedade escolar.   Cronograma realista respeita os limites individuais O cronograma de estudos ideal considera as particularidades de cada estudante. Horários de aula, atividades extracurriculares, tempo de descanso e lazer precisam fazer parte do planejamento. Quatro horas diárias de estudo individual, além do período escolar, costumam ser suficientes para manter o conteúdo em dia. Ultrapassar cinco horas pode gerar efeito contrário, pois o cérebro entra em sobrecarga e a capacidade de retenção diminui. O equilíbrio entre estudo e descanso garante melhor aproveitamento do tempo dedicado à aprendizagem. Estudantes que tentam estudar sem pausas adequadas experimentam fadiga mental, perda de concentração e frustração. O planejamento eficaz reconhece que a mente precisa de intervalos para processar informações e se recuperar.   Ambiente adequado influencia a concentração Escolher local tranquilo, com boa iluminação e mobiliário confortável faz diferença significativa no rendimento. Manter a área de estudo organizada, com materiais acessíveis e espaço limpo, reduz interrupções e facilita o foco. Estudar com televisão ligada, conversas paralelas ou celular ao alcance das mãos compromete seriamente a capacidade de concentração. O ideal é desligar notificações de aplicativos durante os períodos de estudo e comunicar aos familiares os horários que precisam de silêncio. Esse cuidado com o ambiente demonstra respeito pelo próprio processo de aprendizagem. Quando o estudante percebe que está criando condições favoráveis para estudar, desenvolve atitude mais positiva em relação às tarefas escolares.   Técnicas de memorização potencializam o aprendizado Diferentes métodos funcionam para diferentes pessoas. A elaboração, técnica que envolve explicar o conteúdo com as próprias palavras ou ensinar a outra pessoa, é altamente eficaz. Resumos escritos à mão ativam a memória visual e motora, ajudando na fixação. O uso de canetas coloridas para destacar pontos importantes cria marcadores visuais que facilitam a recuperação da informação durante a prova. A técnica Pomodoro, que consiste em estudar por 25 minutos e fazer pausa de cinco minutos, baseia-se em evidências científicas sobre os ciclos de atenção do cérebro. Durante as pausas, o estudante deve se levantar, alongar o corpo ou hidratar-se. Evitar usar esse tempo para redes sociais ou jogos eletrônicos, pois essas atividades podem dificultar o retorno ao foco.   Prática com exercícios consolida o conhecimento Especialmente para disciplinas exatas, resolver exercícios é fundamental. A teoria precisa ser colocada em prática para que o estudante desenvolva raciocínio lógico e identifique padrões. Apenas ler fórmulas ou exemplos não garante a capacidade de aplicar os conhecimentos em situações novas. Resolver questões de avaliações anteriores ajuda o estudante a se familiarizar com o estilo das perguntas e gerenciar melhor o tempo durante a prova real. "A organização permite que o estudante identifique dúvidas com antecedência e busque ajuda do professor, em vez de enfrentar lacunas de aprendizado justamente no momento da avaliação", destaca Derval Fagundes de Oliveira. Essa sensação de estar preparado traz segurança, melhora a autoconfiança e permite que o estudante enfrente as provas com tranquilidade.   Revisão regular garante retenção a longo prazo O cérebro naturalmente esquece informações que não são utilizadas ou revisitadas. Incluir no cronograma semanal momentos específicos para revisar conteúdos anteriores garante que o conhecimento se consolide. Flashcards, resumos e exercícios de fixação são ferramentas úteis para a revisão. Estudar um conteúdo uma única vez e esperar lembrar dele semanas depois raramente funciona. Combinar diferentes matérias em uma mesma sessão de estudos pode ser produtivo, desde que bem planejado. Estudar várias disciplinas no mesmo dia evita que o estudante esqueça conteúdos enquanto se dedica exclusivamente a uma área. A alternância entre matérias também reduz a fadiga mental causada pela exposição prolongada ao mesmo tipo de raciocínio.   Evitar a véspera da prova como única estratégia Estudar apenas na véspera das provas é uma das principais causas de ansiedade escolar. Além de causar estresse desnecessário, estudar de última hora compromete a qualidade do aprendizado. Informações absorvidas rapidamente e sob pressão tendem a ser esquecidas logo após a prova. O ideal é manter os estudos em dia e, na véspera da avaliação, fazer apenas revisão leve, sem introduzir conteúdos novos. Estudar durante a madrugada é prática especialmente prejudicial. O cérebro precisa de sono adequado para consolidar memórias e processar informações aprendidas durante o dia. Privar-se de sono para estudar compromete tanto a capacidade de concentração quanto a saúde física e mental.   Exercícios físicos e lazer completam o planejamento Atividade física reduz o estresse, melhora a circulação cerebral, aumenta a capacidade de concentração e contribui para o bem-estar geral. Estudantes que incluem exercícios na rotina tendem a apresentar melhor desempenho acadêmico. Da mesma forma, reservar tempo para hobbies, convívio social e descanso evita o esgotamento mental e mantém a motivação. O planejamento eficaz não significa estudar o tempo todo, mas sim estudar de forma inteligente, equilibrada e sustentável. Cada estudante tem ritmo próprio e preferências de aprendizagem. O essencial é experimentar diferentes estratégias, observar o que produz melhores resultados e ajustar o plano conforme necessário. A flexibilidade para adaptar métodos e a persistência para manter a rotina são características que diferenciam estudantes bem-sucedidos. Para saber mais sobre planejamento de estudos, visite https://brasilescola.uol.com.br/dicas-de-estudo/como-estudar.htm e https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/dicas/volta-as-aulas-veja-7-dicas-para-otimizar-os-estudos  


28 de janeiro, 2026

Comportamento adulto influencia diretamente crianças

Crianças funcionam como observadoras atentas de tudo que acontece ao seu redor desde os primeiros dias de vida. A aprendizagem por imitação representa um dos mecanismos mais poderosos do desenvolvimento infantil, e o comportamento adulto serve como principal referência para essa construção. Atitudes, tom de voz, reações emocionais e valores demonstrados cotidianamente por pais e educadores moldam diretamente a forma como os pequenos compreendem o mundo, lidam com emoções e se relacionam com outras pessoas. Bebês nascem predispostos a criar interações com membros de sua espécie, e as capacidades imitativas aparecem surpreendentemente cedo. Nas primeiras semanas de vida já é possível observar recém-nascidos imitando expressões faciais dos pais e alguns sons básicos. Essa tendência natural de reproduzir o que veem acontece graças aos neurônios-espelho, células cerebrais que facilitam a imitação e, consequentemente, aprendizados mais rápidos. A aquisição inicial da fala ilustra perfeitamente esse processo. Crianças desenvolvem vocabulário imitando sons e palavras que escutam no contato com pessoas com quem convivem. Por essa mesma razão, outras conquistas fundamentais acontecem através da observação e reprodução: primeiras interações com objetos e brinquedos, tentativas de se alimentar sozinho, comportamentos sociais com outras crianças. A observação é uma das primeiras ferramentas que a criança possui para adaptar-se e interagir com o ambiente. A partir daquilo que contempla, ela começa a criar teorias de compreensão sobre o mundo, sobre objetos, sobre relações sociais e afetivas. Esse processo ativo de observação, processamento e replicação promove desenvolvimento de habilidades cognitivas como atenção, memória e capacidade de resolução de problemas. Modelos internos de funcionamento Pais e principais cuidadores funcionam como primeira "vitrine da humanidade" para as crianças. É através dessas figuras centrais que bebês e crianças pequenas descobrem o que significa ser humano, como funcionam relacionamentos, como lidar com conflitos e frustrações, como expressar emoções. Os chamados modelos internos de funcionamento começam a se formar já nos primeiros anos, estabelecendo padrões que a criança tende a repetir e reproduzir ao longo da vida. Existem registros de bebês que, ao verem suas mães reagindo como se eles tivessem se machucado, começam a chorar como se realmente estivessem sentindo dor. Não se trata de drama ou manipulação, mas sim de aprendizado emocional. A criança ainda não sabe como interpretar determinada experiência até que principais cuidadores ensinem como se sentir diante dela. Linguagem, tom de voz e escuta ativa A comunicação utilizada por adultos vai muito além das palavras. Tom de voz, expressões faciais, linguagem corporal e contexto emocional exercem impacto profundo sobre como crianças processam informações e constroem sua própria forma de se expressar. Crianças são extremamente sensíveis a nuances emocionais na fala dos adultos. Um mesmo conteúdo comunicado com tom agressivo, ansioso, acolhedor ou entusiasmado gera aprendizados completamente diferentes. "As crianças não aprendem apenas o que dizemos explicitamente, mas principalmente o que fazemos no dia a dia", explica Derval Fagundes de Oliveira, diretor do Colégio Anglo Salto. Famílias que mantêm conversas significativas, escutam atentamente as crianças, respondem suas perguntas com seriedade e incentivam expressão de opiniões desenvolvem não apenas vocabulário infantil, mas também pensamento crítico, organização de ideias e confiança para se comunicar. Adultos que frequentemente usam tom elevado, agressivo ou desrespeitoso ensinam que essa é forma adequada de interação, perpetuando padrões de comunicação disfuncionais. A capacidade de escuta ativa demonstrada por adultos também modela comportamento infantil. Pais e educadores que realmente escutam, que fazem perguntas de acompanhamento, que demonstram interesse genuíno pelo que a criança tem a dizer, ensinam valor da escuta empática. Crianças que experimentam serem ouvidas desenvolvem maior confiança em sua própria voz e pensamento. Coerência entre discurso e prática Crianças possuem radar altamente sensível para inconsistências entre discurso e ação. Quando adultos pregam determinados valores, mas agem de forma contraditória, a mensagem absorvida não é o discurso verbal, mas sim o comportamento observado. Pais que dizem que mentir é errado, mas mentem frequentemente em situações cotidianas, ou educadores que falam sobre respeito, mas tratam alunos de forma desrespeitosa, geram confusão e ensinam cinismo. A coerência entre o que falamos e o que praticamos constrói confiança e segurança emocional nas crianças. Crianças que crescem com adultos consistentes desenvolvem senso mais sólido de segurança e previsibilidade, elementos essenciais para desenvolvimento emocional saudável. Inconsistências frequentes, por outro lado, geram ansiedade, insegurança e dificuldade em confiar em outros. Adultos que demonstram positividade diante de desafios ensinam resiliência muito mais efetivamente do que longas conversas sobre importância de não desistir. Pais que leem regularmente transmitem valorização do conhecimento de forma muito mais poderosa do que discursos sobre importância dos estudos. As ações falam mais alto que as palavras, especialmente para observadores tão atentos quanto as crianças. Expressão e regulação emocional A forma como adultos lidam com próprias emoções constitui uma das lições mais importantes que crianças recebem. Adultos funcionam como primeiros modelos de expressão emocional, ensinando não apenas quais emoções são aceitáveis, mas também como identificá-las, nomeá-las, expressá-las e regulá-las. Famílias que normalizam conversa sobre sentimentos, que nomeiam emoções quando surgem, que validam experiências emocionais das crianças, estão desenvolvendo alfabetização emocional. Essa habilidade permite que indivíduos reconheçam o que sentem, entendam origem dessas emoções e as expressem de maneira saudável. Adultos que demonstram capacidade de autorregulação - que conseguem sentir raiva sem agredir, frustração sem desmoronar, tristeza sem desespero - oferecem modelo valioso. Por outro lado, adultos que explodem emocionalmente, que punem crianças por expressarem sentimentos ou que minimizam emoções infantis, ensinam que sentimentos são perigosos e devem ser reprimidos. Comportamentos que favorecem desenvolvimento saudável Demonstração consistente de afeto cria ambiente de acolhimento e segurança emocional. Crianças que se sentem amadas incondicionalmente desenvolvem autoestima mais sólida e confiança para explorar mundo e enfrentar desafios. Afeto não significa ausência de limites, mas sim presença de amor e aceitação mesmo quando comportamentos precisam ser corrigidos. Estabelecimento de limites claros e consistentes oferece estrutura necessária para desenvolvimento saudável. Crianças precisam saber o que se espera delas, quais são regras da família ou escola, quais comportamentos são aceitáveis. Limites bem estabelecidos, explicados com clareza e aplicados consistentemente, geram segurança psicológica e ajudam desenvolvimento de autocontrole. Empatia demonstrada no cotidiano ensina crianças a se colocarem no lugar do outro. Adultos que validam sentimentos infantis, que tentam compreender perspectivas diferentes, que tratam todos com respeito independentemente de diferenças, modelam habilidades socioemocionais essenciais para relacionamentos saudáveis. Parceria entre família e escola Família e escola representam os dois pilares fundamentais no desenvolvimento infantil. A família oferece primeira e mais duradoura referência de pertencimento, valores e vínculos afetivos. É no ambiente familiar que crianças vivenciam primeiras experiências de amor, cuidado, limites e socialização. A escola oferece ambiente de socialização ampliada, conhecimento sistematizado e interação com pares. Educadores funcionam como modelos adicionais de comportamento adulto, oferecendo referências diferentes daquelas encontradas em casa. Essa multiplicidade de modelos enriquece repertório comportamental infantil, permitindo que crianças observem diferentes formas de ser adulto, de resolver problemas, de se relacionar. A parceria entre família e escola multiplica resultados educacionais. Quando pais conhecem propostas pedagógicas e educadores compreendem contexto familiar dos alunos, forma-se rede consistente de apoio. Comunicação regular e transparente permite identificar rapidamente dificuldades, celebrar avanços e ajustar estratégias educativas. Presença qualitativa no mundo contemporâneo Mais importante que quantidade de tempo é qualidade da presença. Adultos que, mesmo em períodos curtos, dedicam atenção plena às crianças - desligando celulares, ouvindo ativamente, engajando-se genuinamente - oferecem base emocional mais sólida do que aqueles fisicamente presentes mas emocionalmente ausentes. Mesmo em meio a rotinas corridas, adultos podem criar momentos significativos de conexão. Refeições compartilhadas, conversas antes de dormir, atividades de fim de semana planejadas juntos constroem vínculos e oferecem oportunidades para modelar comportamentos positivos. Reconhecer que crianças aprendem constantemente através da observação é primeiro passo para exercer comportamento adulto mais consciente e positivo. Ser modelo não significa ser perfeito, mas sim ser autêntico, coerente e comprometido com próprio desenvolvimento emocional. Adultos que refletem sobre seus comportamentos e buscam crescimento pessoal naturalmente oferecem referências mais saudáveis, contribuindo para formação integral de crianças confiantes, empáticas e preparadas para construir relacionamentos saudáveis ao longo da vida. Para saber mais sobre comportamento adulto, visite https://saude.abril.com.br/coluna/com-a-palavra/o-impacto-dos-habitos-de-bem-estar-dos-adultos-nas-criancas/ e https://www.processohoffmanbrasil.com.br/blog/2018/11/entenda-a-influencia-da-infancia-na-vida-adulta%20relacionamentos/entenda-a-influencia-da-infancia-na-vida-adulta%20entenda-a-influencia-da-infancia-na-vida-adulta%20page-78.html  


26 de janeiro, 2026