02/05/2025
Mulheres com filhos pequenos relatam, com frequência, a sensação de estarem sempre devendo algo — seja para o trabalho, seja para a família. Quando a maternidade entra em cena, a jornada dupla (ou tripla) se intensifica e as escolhas passam a ser feitas sob o peso da cobrança social, da culpa e do desejo de não falhar em nenhuma das frentes.
Dados indicam que quase metade das mães brasileiras se sente sobrecarregada com as responsabilidades do lar, e mais de um terço acredita que a maternidade desacelerou sua carreira. Mesmo aquelas que têm parceiros presentes afirmam que as tarefas com os filhos e a casa ainda recaem, majoritariamente, sobre elas. Isso revela um desequilíbrio estrutural que não se resolve apenas com boa vontade: exige mudança de mentalidade e divisão real de responsabilidades.
Essa tensão constante entre ser uma profissional eficiente e uma mãe presente pode desencadear esgotamento físico e emocional. Muitas mulheres enfrentam o chamado mommy burnout, caracterizado por exaustão, irritabilidade e perda de prazer nas tarefas do dia a dia. A culpa de não estar “100% em tudo” se torna um peso que mina a autoestima e impacta as relações familiares.
“O caminho para o equilíbrio passa por reconhecer que não se trata de fazer tudo, mas de contar com apoio, acolhimento e escolhas conscientes”, reflete Derval Fagundes de Oliveira, diretor do Colégio Anglo Salto. “Cada família deve buscar a melhor forma de organizar sua rotina sem abrir mão do bem-estar de todos os envolvidos”, conclui.
Dentro das empresas, ainda há muito a ser feito. Flexibilidade de horários, compreensão diante de imprevistos e apoio psicológico são diferenciais que impactam diretamente a permanência da mulher no mercado e sua saúde mental. Medidas simples, como ouvir as demandas das colaboradoras e propor soluções conjuntas, já promovem grandes avanços.
Em casa, a construção de parcerias equilibradas é indispensável. Dividir de forma justa as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos é mais do que uma questão de organização — é uma demonstração de respeito. Quando o casal dialoga e compartilha responsabilidades, a sobrecarga diminui e a qualidade da convivência melhora.
A escola também pode contribuir significativamente nesse cenário. Um ambiente educacional que respeita as particularidades das famílias, oferece comunicação transparente e se dispõe a escutar pode aliviar parte da pressão sentida pelas mães. Essa confiança mútua entre pais e instituição fortalece vínculos e colabora com o equilíbrio familiar.
Para saber mais sobre equilíbrio entre carreira, maternidade e educação, visite https://rhpravoce.com.br/colab/maternidade-e-carreira-desafios-e-possibilidades e https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/maternidade-e-carreira-a-busca-pelo-equilibrio/