30/05/2025
O avanço da tecnologia não apenas transformou a forma como as crianças brincam, mas também alterou profundamente o modo como aprendem. Os alunos da chamada geração alpha — nascidos a partir de 2010 — estão crescendo em um ambiente repleto de estímulos digitais, conectividade permanente e interações rápidas. Isso cria um cenário desafiador para as escolas, que precisam adaptar práticas e linguagens para manter o interesse e o engajamento dos estudantes.
Essa geração não separa o mundo real do virtual. Desde cedo, interage com assistentes virtuais, consome conteúdo sob demanda e utiliza dispositivos móveis com grande familiaridade. Se, por um lado, essas crianças demonstram agilidade em ambientes digitais, por outro, mostram dificuldade de concentração, tendência à impaciência e menor tolerância à frustração — o que impacta diretamente na rotina escolar.
“O papel da escola é encontrar equilíbrio entre o uso inteligente da tecnologia e a valorização de experiências humanas, sociais e afetivas”, afirma Derval Fagundes de Oliveira, diretor do Colégio Anglo Salto. “Educar a geração alpha exige mais do que recursos digitais. É preciso investir em escuta, vínculo e intencionalidade”, conclui.
Modelos tradicionais de ensino, baseados apenas na transmissão de conteúdo, perdem espaço diante das novas demandas cognitivas dos alunos. Eles respondem melhor a metodologias que permitem participação ativa: projetos colaborativos, atividades práticas, simulações, gamificação e recursos interativos fazem mais sentido para quem está acostumado a navegar entre telas desde os primeiros anos de vida.
No entanto, nem tudo se resume a tecnologia. O desenvolvimento emocional também exige atenção. Crianças muito conectadas, por mais que interajam virtualmente, podem apresentar dificuldades na convivência presencial, no trabalho em grupo e na autorregulação emocional. Por isso, as escolas que lidam com a geração alpha precisam criar momentos de escuta, troca e convivência offline.
Atividades como rodas de conversa, debates guiados, dinâmicas de grupo e jogos cooperativos ajudam a desenvolver empatia, respeito e resiliência. Além disso, é fundamental estimular a criatividade, o pensamento crítico e a autonomia — competências essenciais para formar cidadãos preparados para os desafios do século XXI.
A parceria com as famílias é decisiva nesse processo. O comportamento digital das crianças muitas vezes reflete o dos pais. Por isso, limites saudáveis em casa, exemplo de equilíbrio no uso da tecnologia e envolvimento na vida escolar fazem diferença. Pequenos gestos — como refeições sem celulares ou tempo de qualidade juntos — contribuem para a segurança emocional e o bom desempenho escolar.
Educar a geração alpha é um exercício constante de adaptação. A escola precisa oferecer conteúdo relevante, ambientes acolhedores e estratégias atualizadas, mas sem abrir mão do que é essencial: o desenvolvimento integral do aluno como ser humano, com capacidade de pensar, sentir, criar e se relacionar de forma ética e consciente.
Para saber mais sobre Geração Alpha, visite https://www.dentrodahistoria.com.br/blog/familia/desenvolvimento-infantil/geracao-alpha-caracteristicas/ e https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2019/05/29/o-que-e-a-geracao-alfa-a-1a-a-ser-100-digital.ghtml