01/08/2025
O vínculo criado nos primeiros anos de vida impacta profundamente a forma como a criança enxerga a si mesma e interage com o mundo. A maneira como ela é acolhida, ouvida e orientada nos primeiros contatos familiares serve como base para o desenvolvimento da personalidade — esse conjunto de características que define comportamentos, emoções e formas de reagir às situações cotidianas.
Entre os fatores mais relevantes estão a relação com os cuidadores, os estímulos oferecidos em casa, o convívio social e a qualidade da rotina. Crianças que crescem em ambientes afetivos, com limites claros e liberdade para se expressar, tendem a desenvolver mais segurança emocional e maior capacidade de adaptação. O modo como pais e responsáveis reagem aos erros, incentivam a autonomia e acolhem os sentimentos também interfere diretamente na formação de valores e no equilíbrio emocional da criança. “A personalidade não nasce pronta: ela é construída no dia a dia, a partir das relações, da escuta e da vivência emocional”, comenta Derval Fagundes de Oliveira, diretor do Colégio Anglo Salto, ao destacar o papel da família nesse processo.
A psicologia do desenvolvimento oferece diversas interpretações sobre essa formação. Jean Piaget, por exemplo, aponta a importância do desenvolvimento cognitivo e da forma como a criança organiza seu conhecimento em contato com o ambiente. Henri Wallon destaca a afetividade como ponto de partida da construção da identidade, enquanto Lev Vygotsky ressalta a influência do meio social e cultural, mostrando como as interações com adultos e colegas moldam a personalidade infantil.
A escola tem papel complementar. É nesse espaço que a criança vivencia a coletividade, aprende a lidar com regras que valem para todos e compreende a importância do diálogo e da cooperação. A observação atenta de professores também pode revelar sinais importantes sobre as emoções e o comportamento da criança, contribuindo para que família e escola caminhem juntas na orientação e no acolhimento das necessidades individuais.
Outro ponto decisivo é a rotina. Ter horários previsíveis, regras claras e um ambiente organizado ajuda a criança a desenvolver noções de responsabilidade, autocontrole e autonomia. A previsibilidade gera segurança e, com isso, ela se sente mais confiante para explorar, criar, experimentar e se expressar.
Rotular comportamentos pode comprometer esse processo. Frases como “ele é desobediente” ou “ela é bagunceira” não contribuem para o crescimento da criança e ainda podem limitar sua percepção sobre si mesma. Compreender que a infância é uma fase de construção contínua permite que o adulto aja com mais empatia, oferecendo suporte em vez de julgamento.
Linguagem, brincadeira e imaginação também desempenham papéis fundamentais. Enquanto a linguagem ajuda a organizar emoções, o brincar ensina papéis sociais, regras e empatia. Já a imaginação permite experimentar situações de forma segura e simbólica, enriquecendo o repertório emocional da criança.
A personalidade continua em formação ao longo da vida, mas a infância representa o alicerce. Cabe aos adultos que cercam a criança cultivar um ambiente de respeito, escuta e afeto, para que ela se desenvolva com liberdade e responsabilidade, construindo sua identidade com segurança e consciência de quem é.
Para saber mais sobre personalidade, visite https://institutoneurosaber.com.br/artigos/concepcoes-psicologicas-na-construcao-da-personalidade-infantil/ e https://www.companhiadasletras.com.br/BlogPost/6514/como-se-forma-a-personalidade-da-crianca-eo-cuidado-em-nao-rotular?srsltid=AfmBOopHXkSbW1CYQPkOMzlSPiCTm2SzOSMP-jQZjQ2yeVQzapInUKRi