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27/02/2026
Crianças que se movimentam regularmente apresentam melhor concentração, memória mais eficiente e desempenho acadêmico superior. Essa relação entre atividade física e aprendizado é respaldada por pesquisas em neurociência e reforça o papel da educação física como componente curricular de primeira importância — não um intervalo entre as matérias "de verdade".
O exercício aumenta a circulação sanguínea no cérebro, favorecendo processos cognitivos como atenção e raciocínio. Ao mesmo tempo, estimula a liberação de neurotransmissores ligados ao bem-estar, o que ajuda a regular emoções e reduzir a ansiedade. O aluno que chega à aula de português ou matemática após uma atividade física bem conduzida tende a estar mais pronto para aprender.
A psicomotricidade — ciência que estuda o ser humano através do corpo em movimento — ajuda a explicar essa conexão. Durante as aulas de educação física, crianças desenvolvem noções fundamentais como esquema corporal, lateralidade, coordenação e orientação espacial. Esses elementos não são abstratos: influenciam diretamente a forma como o aluno lê, escreve, resolve problemas e interage com o ambiente.
O esquema corporal, por exemplo, é o conhecimento que a criança constrói sobre o próprio corpo, seus movimentos e posturas. Uma má estruturação dessa noção pode provocar dificuldades motoras, perceptivas e sociais. Já a coordenação — controlada pelo sistema nervoso central em conjunto com grupos musculares — permite executar movimentos com eficiência e está ligada a componentes como equilíbrio, agilidade e força. "O movimento não é só recreação. Ele organiza o pensamento, regula a emoção e prepara o aluno para aprender melhor em qualquer disciplina", afirma Derval Fagundes de Oliveira, diretor do Colégio Anglo Salto.
Os benefícios da atividade física regular se acumulam com o tempo. Crianças fisicamente ativas apresentam maior densidade óssea, melhor capacidade cardiovascular, menos episódios de excesso de peso e menor frequência de crises respiratórias. Esses efeitos não ficam restritos à infância: hábitos estabelecidos nessa fase tendem a acompanhar o indivíduo na vida adulta, reduzindo o risco de doenças crônicas.
A qualidade do sono melhora, o sistema imunológico se fortalece e o crescimento segue um ritmo mais saudável. Tudo isso contribui para que o aluno esteja em melhores condições físicas e mentais para enfrentar a rotina escolar.
O ponto de partida é criar uma relação positiva com o movimento. Quando a criança descobre uma atividade que faz sentido para ela — seja um esporte coletivo, uma modalidade individual ou simplesmente uma brincadeira ativa —, a chance de manter esse hábito na vida adulta aumenta consideravelmente.
Emoções, autoestima e convivência
A educação física também atua diretamente na saúde emocional. Durante o exercício, o corpo libera endorfinas, substâncias que reduzem a percepção de dor e elevam o humor. Essa resposta neuroquímica ajuda a combater estresse, ansiedade e sintomas depressivos — algo especialmente relevante em um período em que os índices de sofrimento emocional entre crianças e adolescentes têm crescido.
Superar um desafio físico — aprender um movimento novo, melhorar um tempo, conseguir executar uma jogada — fortalece a autoconfiança. O aluno que se sente capaz no contexto esportivo tende a carregar essa percepção para outras áreas da vida.
"Quando o estudante aprende a lidar com uma derrota no jogo ou a celebrar uma conquista coletiva, está desenvolvendo ferramentas emocionais que vão usar pelo resto da vida", destaca Derval Fagundes de Oliveira.
A dimensão social da educação física é igualmente relevante. Jogos e esportes coletivos ensinam cooperação, liderança, respeito às regras e gestão de conflitos. Atividades em grupo ampliam círculos sociais, aproximam alunos de turmas diferentes e promovem inclusão. Jogos cooperativos, em especial, enfatizam parceria e respeito às diferenças, já que o objetivo só é alcançado quando todos contribuem.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ministério da Educação orientam que os conteúdos da educação física sejam organizados em três blocos: jogos, ginásticas, esportes e lutas; atividades rítmicas e expressivas; e conhecimentos sobre o corpo. Essa estrutura reconhece que a formação completa exige habilidades físicas, expressão criativa e compreensão teórica sobre o funcionamento do próprio organismo.
As metodologias variam conforme a faixa etária. Para crianças menores, atividades lúdicas predominam — brincadeiras que trabalham regras, cooperação e criatividade de forma natural. O aquecimento é parte obrigatória desse processo: preparar o corpo para o esforço físico previne lesões e desenvolve a noção de que qualquer atividade exige preparação adequada.
Um critério importante é o nível de desafio. Atividades fáceis demais geram desinteresse; difíceis demais, desmotivação e queda de autoestima. O equilíbrio entre estímulo e capacidade é o que mantém o aluno engajado e disposto a tentar de novo.
A escola faz sua parte, mas o ambiente familiar também importa. Pais que estimulam filhos a se movimentar — e que dão o exemplo praticando atividades físicas — reforçam o que é ensinado na escola. Crianças sedentárias em casa chegam à escola com menos disposição, menor tolerância à frustração e mais dificuldade de concentração.
Reduzir o tempo excessivo diante de telas, incentivar brincadeiras ao ar livre e criar rotinas que incluam movimento são atitudes que complementam o trabalho pedagógico. Não é preciso matricular a criança em múltiplas escolinhas esportivas — muitas vezes, o simples hábito de brincar ativamente já faz diferença.
Para saber mais sobre educação física, visite https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude-mental/5-beneficios-do-esporte-para-a-saude-mental-das-criancas,48cb6b835714a2f6ea231e906eddde834szzv3qf.htm e https://blogeducacaofisica.com.br/12-atividades-na-educacao-infantil/