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Como o uso de tela interfere na rotina de estudo e no comportamento

Uso de tela e impactos no aprendizado

22/04/2026

O uso de tela faz parte da rotina de crianças e adolescentes, seja para estudar, conversar, jogar, assistir a vídeos ou acessar informações. O problema aparece quando celulares, tablets, computadores, televisores e videogames ocupam espaço desproporcional no dia a dia e começam a interferir no sono, na atenção, na convivência, na atividade física e no desempenho escolar. Nessas situações, a tecnologia deixa de ser apenas recurso de apoio ou entretenimento e passa a afetar hábitos importantes para o desenvolvimento.

A discussão não depende apenas de contar horas em frente aos aparelhos. O contexto também importa. Uma criança que usa o computador para uma pesquisa escolar supervisionada vive uma experiência diferente daquela que passa longos períodos alternando vídeos curtos, jogos e redes sociais, sem pausa, até tarde da noite. A idade, o tipo de conteúdo, o horário de uso, a presença de mediação adulta e os prejuízos observados na rotina ajudam a definir quando o uso se tornou excessivo.

 

Sono é um dos primeiros aspectos afetados

Um dos impactos mais frequentes do excesso de telas ocorre no sono. O uso de dispositivos no período noturno dificulta a desaceleração necessária para o descanso. Vídeos, jogos, mensagens e redes sociais mantêm o cérebro em estado de alerta e podem prolongar o tempo de uso sem que a criança ou o adolescente perceba.

 Quando o sono é prejudicado, os efeitos aparecem no dia seguinte. Sonolência, irritação, dificuldade de concentração, queda de disposição e menor tolerância a frustrações são sinais comuns. Em idade escolar, dormir mal interfere na memória, na assimilação de conteúdos e na participação em sala de aula.

 Para Derval Fagundes de Oliveira, diretor do Colégio Anglo Salto, de Salto (SP), o impacto do uso excessivo pode ser percebido em diferentes momentos da rotina escolar: “Quando o estudante chega cansado, disperso ou irritado, a aprendizagem tende a ser afetada. Por isso, o uso de tela precisa ser observado também a partir dos efeitos que provoca no dia seguinte”.

 

Atenção e concentração podem ficar comprometidas

 Grande parte dos conteúdos digitais é organizada para captar a atenção rapidamente. Notificações, vídeos curtos, mudanças constantes de imagem e recompensas imediatas estimulam trocas frequentes de foco. Esse padrão pode dificultar atividades que exigem continuidade, paciência e esforço mental mais prolongado.

Na escola, esse efeito pode aparecer em tarefas como leitura, escrita, resolução de problemas, acompanhamento de explicações e revisão de conteúdos. Alguns estudantes demonstram impaciência com atividades que exigem mais tempo. Outros têm dificuldade para concluir exercícios, organizar o estudo ou manter atenção sem interrupções.

 Isso não significa que a tecnologia, por si só, cause problemas de concentração. O ponto de atenção está no predomínio de experiências rápidas e fragmentadas sobre outras formas de aprender. Estudar, ler, conversar e resolver problemas exigem ritmo diferente daquele oferecido por muitos aplicativos e plataformas digitais.

 

Comportamento muda quando faltam limites 

O uso de tela em excesso também pode interferir no comportamento. Irritabilidade quando o aparelho é retirado, resistência para interromper jogos ou vídeos, dificuldade para esperar, desinteresse por brincadeiras presenciais e necessidade constante de estímulo são sinais que merecem atenção.

 Em muitas famílias, os conflitos surgem porque não há rotina clara. O aparelho entra nos horários de refeição, estudo, descanso e convivência. Sem previsibilidade, fica mais difícil para crianças e adolescentes entenderem quando podem usar a tecnologia e quando precisam se dedicar a outras atividades.

Na infância, a tela pode passar a funcionar como resposta automática para tédio, espera ou frustração. Quando isso ocorre com frequência, a criança tem menos oportunidades de desenvolver recursos próprios para lidar com esses momentos. Na adolescência, o problema pode envolver também redes sociais, comparação, sensação de pertencimento e medo de ficar fora das conversas do grupo.

“O limite não deve aparecer apenas no momento do conflito. Ele precisa fazer parte de uma rotina conhecida pela criança e pelo adolescente, com horários, combinados e acompanhamento dos adultos”, avalia Derval Fagundes de Oliveira.

 

Convivência e movimento também entram na conta

 Quando a tela ocupa a maior parte do tempo livre, outras experiências perdem espaço. Brincadeiras, leitura, esporte, conversa, descanso e convivência presencial são atividades importantes para o desenvolvimento e não devem ser substituídas de forma permanente pelos dispositivos.

 Na infância, o movimento ajuda na coordenação, na percepção espacial, na autonomia e na regulação da energia. Correr, brincar, explorar ambientes e participar de jogos presenciais fazem parte da aprendizagem cotidiana. Na adolescência, a redução da atividade física pode contribuir para sedentarismo, cansaço, piora do sono e menor disposição.

A convivência familiar também pode ser afetada. Em alguns casos, a tela reduz o diálogo porque ocupa momentos de encontro. Em outros, gera disputas constantes entre adultos e crianças. Há ainda situações em que a interação presencial perde espaço para trocas digitais mais imediatas, o que pode limitar experiências como esperar a vez, negociar conflitos, perceber expressões e lidar com regras sociais no contato direto.

 

O papel da escola e da família

A escola participa desse debate porque percebe efeitos do uso excessivo no rendimento, no comportamento e na atenção dos estudantes. Sono em sala, queda de desempenho, irritação, dificuldade para concluir tarefas, cansaço frequente e dependência intensa do celular nos intervalos podem indicar que a relação com as telas precisa ser observada com mais cuidado.

 O assunto, no entanto, não deve ser tratado apenas como indisciplina ou proibição. A orientação sobre uso responsável da tecnologia envolve cidadania digital, privacidade, segurança, qualidade da informação, organização do tempo e equilíbrio entre atividades online e presenciais.

 As famílias têm papel decisivo porque muitos hábitos digitais são formados em casa. Crianças e adolescentes observam como os adultos usam o celular, a televisão e o computador. Por isso, regras para os filhos tendem a funcionar melhor quando fazem parte de uma organização familiar mais ampla, com horários definidos, momentos sem aparelhos e alternativas concretas de convivência, estudo, descanso e lazer.

Sinais como piora persistente do sono, queda no rendimento, isolamento, irritação intensa ao interromper o uso, ansiedade para checar mensagens e perda de interesse por atividades presenciais devem ser acompanhados. Quando aparecem em conjunto e se repetem, indicam que a rotina digital precisa ser revista com mais atenção por família e escola.

Para saber mais sobre o assunto, visite https://www.iff.fiocruz.br/index.php/pt/?catid=8&id=35%3Auso-das-telas&view=article e https://fiocruz.br/noticia/2023/05/iff-fiocruz-divulga-pesquisa-sobre-atividade-fisica-tempo-de-tela-e-sono-durante

 


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